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Pandemia é acompanhada de perto com Paraná Contra a Covid-19

Unir, catalogar, analisar, monitorar e enfrentar. Esses são os verbos que descrevem a iniciativa Paraná Contra a Covid-19, um dos projetos vencedores do Prêmio FNA, concedido anualmente pela Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA). Desenvolvida, inicialmente, por profissionais e estudantes ligados ao planejamento urbano, a plataforma congrega dados e mapas sobre casos da doença The post Pandemia é acompanhada de perto com Paraná Contra a Covid-19 appeared first on FNA.Read More

Unir, catalogar, analisar, monitorar e enfrentar. Esses são os verbos que descrevem a iniciativa Paraná Contra a Covid-19, um dos projetos vencedores do Prêmio FNA, concedido anualmente pela Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA). Desenvolvida, inicialmente, por profissionais e estudantes ligados ao planejamento urbano, a plataforma congrega dados e mapas sobre casos da doença e áreas mais vulneráveis na cidade de Curitiba, notas técnicas e cartilhas sobre o tema, com o intuito de estudar os impactos da pandemia nos diversos segmentos sociais e apontar a omissão das políticas públicas e seus reflexos sobre a vida das pessoas. Os materiais são desenvolvidos por pesquisadores de Arquitetura e Urbanismo, Economia, Geografia, Sociologia, entre outras áreas.

O projeto começou a tomar forma no início da pandemia, entre os meses de março e abril, quando a professora e arquiteta e urbanista Maria Carolina Maziviero, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), inspirou-se em uma iniciativa semelhante de São Paulo. “Era um mapa que cruzava dados das áreas de favela, ocupação, presença de banheiros, abastecimento de água, Unidades Básicas de Saúde”, lembra. Com a vontade de aplicar estudos dos mesmos indicadores em Curitiba, a pesquisadora uniu-se ao arquiteto e urbanista Alexandre Pedrozo, que atua no Departamento de Planejamento e Gestão do Ministério Público do PR e é vice-presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Estado do Paraná (Sindarq/PR).

Assim, nascia a ideia que visava evidenciar as desigualdades e entender o caminho do vírus na capital paranaense. Atualmente, além de Maria Carolina e Alexandre, o núcleo gestor do Paraná Contra a Covid-19 é composto por outros três integrantes: Kelly Vasco, pesquisadora do Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles, Mônica Máximo da Silva, pesquisadora independente, e Simone Aparecida Polli, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Todos fazem parte do Núcleo BR Cidades. Ao todo, são mais de 40 pesquisadores e estudantes engajando-se na plataforma, produzindo conteúdos científicos abertos e gratuitos. Mais recentemente, o grupo ganhou apoio de pesquisadores de Maringá, que desenvolverão estudos sobre aquela região.

Porém, para construir os materiais, foi necessário passar por alguns percalços. “A dificuldade que tivemos de acessar dados em Curitiba é algo assustador”, comenta Carolina. Mesmo com pedidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), o grupo encontrou barreiras para acessar dados de mobilidade, por exemplo. “Fizemos uma atualização dos casos e dos óbitos por bairros a fim de mapear o percurso do vírus na cidade. A Globo conseguiu uns dados e passou para gente”, expõe a pesquisadora, destacando, ainda que a intenção do projeto não era confrontar ou expor a ineficiência pública nas ações contra a Covid-19 mas, sim, mostrar os gargalos da cidade e entender quais eram os públicos mais fragilizados na pandemia. “O poder público, no lugar de apoiar e usar essas informações, preferiu virar as costas”, denuncia.

Porém, na opinião da arquiteta e urbanista, quem fica de braços cruzados faz uma escolha. A sua foi a de agir frente à crise sanitária que se instalou no país usando de seus conhecimentos técnicos para realizar pesquisas. Quanto à premiação concedida pela FNA, ela afirma que não era algo esperado, visto que o projeto não foi construído pensando em causar um grande impacto nacional. “No início da pandemia, tinha colegas que diziam que não tinham papel nenhum. Pensei: precisamos territorializar. Não é possível que não tenhamos papel. O mínimo que você fizer já tem algum impacto”, pontua.

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