“A atuação dos arquitetos e urbanistas nos municípios é um caminho para manter a participação popular na formulação de políticas públicas”. A defesa foi feita pelo secretario de Organização e Formação Sindical da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA), Danilo Matoso, durante a abertura do painel “Municípios com ATHIS: eleições e o direito à moradia”, no Circuito Urbano 2020 da Onu Habitat. Segundo o dirigente, o Brasil vive, desde 2016, um momento de instabilidade democrática, que se agravou com o governo do presidente Jair Bolsonaro e precisa ser levado em conta na hora de planejar projetos sociais nas comunidades. “Não podemos achar que vamos atuar com projetos como ATHIS em céu de brigadeiro”, enfatizou. A agenda, que ocorreu no último sábado (10/10), reuniu 15 painelistas que discutiram sobre o movimento Arquitetos pela Moradia, que propõe 5570 municípios com Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS) ainda em 2020.
Para Matoso, o Governo Federal tem como linha política o fechamento do Estado à participação popular, colocando como desafio para as organizações dos trabalhadores – sobretudo os sindicatos – a construção de vias de pressão política. O Programa Casa Verde Amarela foi citado como um dos grandes exemplos desse desmonte que vem se alastrando no cenário nacional. De acordo com o arquiteto e urbanista, o programa habitacional acabou virando um projeto de créditos. Neste sentido, o diretor reafirmou que os municípios são uma porta de entrada importante para reerguer as políticas de habitação social. “Se temos vários municípios sem capacidade de planejamento, é a categoria que precisa se organizar para sugerir esses projetos de atuação, também por meio dos governos estaduais”, explicou.
O representante sindical também destacou a necessidade de tornar mais plural a formação dos arquitetos e urbanistas. Se até recentemente os programas dos cursos de arquitetura refletiam o recorte relativamente elitizado de seus alunos, o aumento no número de cursos levou também a uma diversificação do perfil social dos arquitetos e, em consequência, de suas frentes de atuação profissional. “Precisamos ampliar o campo de atuação dos profissionais, e as entidades têm o desafio de cada vez mais aprofundar esses pequenos passos que foram dados nos modelos de negócios”, lembrou, referindo-se à cartilha de orientação Escritórios Populares de Arquitetura editada pelo CAU-DF com apoio dos ArquitetosDF em julho deste ano.
Matoso reforçou que é necessário transformar as Diretrizes de Políticas Amplas dos movimentos representativos – como a [carta] das entidades de Arquitetura e Urbanismo aos candidatos das eleições municipais de 2020 – em projetos concretos de arranjos institucionais, que possam ser apresentados aos municípios permitindo a contratação de arquitetos e urbanistas e engenheiros civis para levar a cabo políticas de habitação e de planejamento urbano, dentre outras.
A programação do Circuito Urbano 2020 segue até o dia 31 de outubro com diversos painéis sobre direito à moradia, política habitacional, urbanização das metrópoles, cidades pós Covid-19, entre outros. As palestras são transmitidas ao vivo no Canal do Youtube do evento e o cronograma completo pode ser acessado aqui.
Assista o painel do último sábado aqui.
The post FNA defende arquitetos nos municípios para qualificar políticas públicas appeared first on FNA.
FNAA forma como as cidades são projetadas influencia diretamente quem pode ocupar e usufruir dos…
O arquiteto e urbanista brasileiro Andrey Rosenthal Schlee foi anunciado como um dos dez vencedores…
O domingo (31/05) foi dia de encerramento do curso ATHIS e Exercício Profissional: Arquitetura como…
Estão abertas as inscrições e submissões de trabalhos para o V Seminário Internacional de Urbanização…
O papel social da arquitetura, a precarização das relações de trabalho e os desafios enfrentados…
O Município de Caxias do Sul lanço, no dia 27 de maio, o Concurso Público…